Assîsî: a pimenta indígena que acaba de chegar na Palace

Não é preciso dizer que somos uma churrascaria, o que carregamos no nome. Mas, somos muito mais do que uma casa especializada em carnes. Levantamos a bandeira do Brasil, para os estrangeiros, e para os brasileiros que nos visitam. Para todos. Buscamos ao máximo possível buscar ingredientes locais, artesanais, autênticos. A Amazônia é uma região que nos interessa muito, por muitas razões. São produtos únicos, ancestrais, que representam a riqueza do nosso país, o que valorizamos demais. Servimos pirarucu de manejo sustentável, sorvetes de frutas nativas e agora estamos com uma novidade picante, uma verdadeira iguaria indígena, que preserva o conhecimento que esses povos têm da floresta. Trata-se da pimenta Assîsî, que pode realçar o sabor de alguns de nossos pratos: ela aromática, fresca, e forte também. Tem alto teor de capsaicina, o que confere um picante intenso, apresentando caráter termogênico.

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– A gente fala pimenta Assîsî, mas eles lá têm outro jeito de chamar, que pra nós é até difícil. Ela é uma pimenta feita pela etnia dos Waiwai, estão localizados na região do Rio Mapuera, no Norte do Pará. Eles usam principalmente para temperar peixe e carne de caça. Também gostam de misturar muito com banana. Essa pimenta, na verdade, é uma variedade de dez pimentas diferentes. A produção é feita exclusivamente pelas mulheres, sobretudo as mais experientes, de 40 a 60 anos. Então, elas passam esse conhecimento para as filhas. E estão até tendo dificuldades, porque elas não querem mais, não. Imagina, trabalhar com pimenta, não é fácil – diz Cláudio Monteiro, sócio da Deveras Amazônia (https://www.deverasamazonia.com.br/), empresa que distribui esses produtos amazônicos que acabam de chegar à Palace.

O projeto de valorização desses produtos não é novo. Em 2014 foi editado um livro pelo Governo do Pará apresentando a Assîsî, verdadeira iguaria, uma especiaria legitimamente brasileira: “Pimenta em pó Waiwai – Um Produto da sociobiodiversidade indígena”. Reproduzimos abaixo trecho das páginas 19, 21 e 27.

“A Assîsî, preparada a partir da combinação de uma dezena de variedades de pimentas, é bastante utilizada como tempero de diversos tipos de peixes e carnes de caça da dieta cotidiana indígena. Os Waiwai também misturam a pimenta para ressaltar o sabor e condimentar uma variedade de quitutes de base agrícola, feitos com diferentes tipos de bananas misturadas à goma de mandioca ou a diferentes variedades de batatas, assados lentamente em fogo de brasa e embrulhados em folhas de bananeira.

São as mulheres indígenas, na maioria senhoras, as responsáveis pelo plantio, cultivo, beneficiamento e comercialização da pimenta em pó Assîsî, atividades exclusivas do gênero feminino. A arte de fazer a Assîsî não é de domínio de todas as mulheres indígenas. É um ofício que exige especialização por parte das poucas mulheres que se dedicam ao aprendizado, pois requer disponibilidade de tempo e cuidados específicos para a manipulação das pimentas que pode causar desconforto pela ardência em contato com a pele e os olhos.

A produção de pimenta é feita basicamente para consumo doméstico e para comercialização local e externa. O excedente do consumo familiar abastece a aldeia principal, Mapuera, e aldeias indígenas de toda região do rio Mapuera. Através da troca de excedentes de produção, as mulheres produtoras Waiwai conseguem produtos como carnes, peixes e produtos não indígenas como roupas, por exemplo, e garantem sua subsistência. Muitas destas mulheres são viúvas enquanto outras têm parceiros em idade avançada demais para realizar pescarias e caçadas.

A produção da Assîsî demonstra que as produtoras de Assîsî são mulheres economicamente ativas no âmbito da economia indígena Waiwai, realizando uma importante
função social no grupo, em face do consumo disseminado da pimenta em pó na cultura gastronômica deste povo.

A aldeia Mapuera, mais populosa daquelas localizadas ao longo do rio Mapuera, apresenta um solo propício para o plantio de pimenteiras, local de moradia da maior parte das mulheres que detém o saber sobre sua produção. A partir deste polo produtor é fornecida pimenta em pó para outras aldeias indígenas e para o comércio com não indígenas.”

A Deveras também começou a nos fornecer geleias amazônicas, no caso feitos a partir de frutas coletadas por comunidades ribeirinhas.

– Já as geleias de açaí e de cupuaçu não vêm das aldeias, mas de uma comunidade ribeirinha. E essa comunidade todo ano faz a Festa do Açaí lá. Eles têm uma grande produção, e toda a população local é envolvida com o açaí, então eles têm uma renda muito boa com esse insumo. O cupuaçu, por sua vez, para essa comunidade tem importância muito menor, mas têm várias outras comunidades nos arredores que trabalham com o cupuaçu. Isso faz com que as populações possam ficar em suas comunidades – completa Monteiro, que é biólogo com PhD em Ecologia.

Venham conhecer esses sabores ancestrais amazônicos, que trazem até você a tradição e a ancestralidade do Brasil.

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